Quarta-feira, Agosto 18, 2004

Contos do 186, cap. II: Ataque surpresa

Acredito que a coisa mais incomum do meu antigo prédio fosse a vizinhança, formada pelo grupo mais heterogêneo do mundo. Um desses era o casal de senhores que moravam no oitavo andar.

Tal casal pouco saía de casa e sempre que fazia alguma aparição mostravam-se muito educados e singelos. Vinham a lembrar até mesmo Seu Amílcar e Dona Arminda (descritos no antigo folhetim do Casseta e Planeta Urgente).

Os boatos começaram a correr não me lembro exatamente quando, mas eles diziam que o apartamento dos nossos personagens de hoje seria a fonte de todas as baratas que viessem a aparecer no prédio.

Quando o boato cresceu a ponto de tornar-se real, a síndica na ocasião (uma senhora com quase 80 anos de idade que andava pelo prédio durante todo o dia) coligada com outros moradores preparou um ataque ao covil dos insetos.

A dita síndica e outra vizinha tocou a campainha do casal de velhinhos e ao senhor abrir a porta, sem que pudesse pensar a dupla em missão empurra para dentro do apartamento uma equipe de detetização para assim realizarem a limpeza.

Alguns dizem que foi um engano vergonhoso. Outros contavam que durante o embate foram mortas e levadas ao corredor do prédio, como em uma vala, mais de cem baratas. Os mesmos contam que a senhora veio agradecer a todos envolvidos, pois se dizia impossibilitada pelo marido de fazer algo contra os insetos e assim esses apenas cresciam em número, fazendo-a dormir completamente coberta para evitar que as criaturinhas caminhassem pelo seu corpo.

Nunca decidi em que versão acreditar. Normalmente escolho a mais engraçada, mas nesse caso a visualização de uma senhora de um metro e meio, com quase 80 anos de idade invadir com um pelotão o apartamento alheio preparada para vencer um combate passível de ser comparado a Normandia, já me basta.

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