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Agenda de Sabine
 
Pronta para zarpar
Quinta-feira, Abril 21, 2005

Começo a desacelerar as baterias para começar o meu feriado. Este ano, Tiradentes vai cair no dia 22 para mim, já que alguém em SP descobriu que tem mãe e mandou a revista funcionar hoje, para folgarmos amanhã.

Estou animada e feliz com a viagem. É engraçado como Maricá faz parte da minha história. Já estive lá em várias fases da vida. O condomínio já viu o Leandro ser meu coiso, namorado e agora marido. Sem dúvida, é um lugar especial. Eu ainda não tinha me dado conta disso com tanta clareza.

Mais uma vez, minha estada será mágica. Sim, é esta palavra. Igual a todas as outras vezes, porém, diferente.



Inferno Astral
Terça-feira, Abril 19, 2005

Só pode ser essa a explicação! São nove da noite e eu estou presa no trabalho por conta de notinhas absolutamente sem importância. Perdi minha aula do curso de moda por conta disso - aliás, é a terceira aula prejudicada por conta do trabalho. Na primeira tive que sair no meio, na segunda cheguei atrasada e nesta eu simplesmente falto. Tudo por conta de quê? Do God-damn-fucking trabalho.

Ainda tem mais!! Vou perder a sessão de análise amanhã de manhã, porque tenho que fazer uma entrevista totalmente micada com um casal de gringos que não interessam a ninguém exatamente no horário. Alguém pode ler isso e pensar, "poxa, mas são coisas fúteis que ela tinha para fazer". Eu respondo "foda-se, são as minhas coisas!". Eu escolhi fazê-las, eu preciso fazê-las para não enlouquecer de vez nessa rotina absurda de mais de 12 horas diárias de um trabalho que não me acrescenta muita coisa na vida.

Ou seja, preciso de férias. Preciso de colo, carinho, um banho de loja, um bom filme bobão para me fazer rir, um bom filme lírico para me fazer chorar e botar tudo pra fora de vez, preciso sumir, preciso pintar o cabelo e fazer as sobrancelhas, preciso mudar de emprego urgente.



O que fazer?
Segunda-feira, Abril 18, 2005

Estou com duas questões me martelando. A primeira delas diz respeito a uma situação que vivi ontem. Era um domingo e eu estava cobrindo um evento organizado por uma galera com quem eu já trabalhei. Fiquei me sentindo nem lá, nem cá. Não conseguia me identificar com o que eu estava fazendo, mas já não sentia mais aquela "peretença" em relação ao pessoal antigo. Lógico que tenho uma ligação mais forte com algumas pessoas do passado, mas nem isso estava tão presente. Me senti deslocada. E isso foi ruim.

Bem, fato constatado, o que fazer? Esta é a questão primeira. O ímpeto é lutar para que os laços não se desfaçam de vez, mas não sei como. Me soa falso ficar procurando as pessoas com subterfúgios, mas me falta coragem para ser direta. O espírito taurino que rumina loooongamente as coisas me manda esperar....

Isto, porém, vai de encontro totalmente à segunda questão. O que fazer quando sua rotina te atropela? O que fazer quando um fim de semana não é nunca o suficiente para descansar, se divertir e fazer nada, tudo ao mesmo tempo? Talvez eu esteja sendo filosófica demais. As coisas são simples, na verdade, mas como a gente adora complicar! O pulo do gato é viver de forma simples. Prestar atenção ao que realmente queremos e sentimos, e então mandar ver. Sem "e se...?", "será", e afins. Vou tentar.



Curso de Moda
Quinta-feira, Abril 14, 2005

Em homenagem ao curso que estou fazendo, O uso e a Linguagem dos Tecidos, posto esta bonequinha. Me achei a cara dela, reparem nos olhões! Tem várias outras roupitchas fashion, que já salvei no computador aqui do trabalho e vou colocando aos poucos. Lá do Templates by Marina. Um luxo!!!





Considerações
Quarta-feira, Abril 13, 2005

Que "Quase Dois Irmãos" é um filmaço, muitos já devem ter ouvido falar. Faz pensar sem ser maçante, dá tapa na cara sem ser agressivo demais. Mas há um detalhe que merece também um destaque. Em uma seqüência memorável, o filme nos relembra a grande arte de se dizer um "filho da puta" bem dito. Como é libertador, como tira aquela opressão de dentro da gente encher a boca e sonoramente xingar. Deixo claro que não é qualquer xingamento que possui essa força, e que a sensação que vem depois é diferente da que o "fowda-se" proporciona. É uma arte mesmo, não tem outra palavra. (Dá pra perceber que venho de uma família de desbocados, não é?)

Falando em família. Dia desses uma colega cunhou uma pérola aqui no trabalho que vale o registro. Pra gente entender quem somos, precisamos enxergar certinho que tipo de família nos criou, certo? Pois bem, a mãe da tal criatura, isso revelado pela própria, é do tipo que combina a cor do detergente com a cozinha! Isso é ou não é altamente revalador de sua personalidade?

Lógico que, "Mônica" que sou, fiquei pensando na minha relação com a minha cozinha, logo, tentando desvendar mais um pouco da minha personalidade. Apesar de sempre ter ouvido que sou virginiana horrores, acho realmente que não o sou mais. Mas sim, sou um ser que prima por organização e praticidade, além de ter uma queda enorme pelo estético das coisas. Uma parada arrumadinha é bem mais "bonita" do que uma zoneada, né não? Mas, confissão: secretamente, de vez em quando, em noites sem lua, eu me acho uma chata, isso acho.



Trabalho
Segunda-feira, Abril 11, 2005

Segunda-feira não tem jeito! Não tem como não pensar que se vai ter mais uma semana inteira pela frente. Antes de desfiar um rosarinho de lamentações aqui, quero deixar claro que não sou daquelas que acredita que a palavra "trabalho" carrega em si um conceito negativo já de cara. Mas acontece que, no meu caso, não tá dando. O assunto com que lido é chato, as pessoas são chatas e o pior dos piores: o esquema de trabalho é horripilantemente BURRO.

Mas enfim...o lado Pollyanna não me deixa omitir. Está servindo como uma bela lição. Frente a esse quadro negro, descobri que gosto mais de atividades mais estratégicas. Pensar a longo prazo e cumprir um cronograma em que ações de hoje impactam lá na frente. Isto sim me estimula deveras! (perdão se parece pedante, mas é que sempre quis usar essa palavra!)

Hoje soube que uma amiga querida e antiga chefe tornou-se diretora de uma empresa em que trabalhava há anos, numa virada em que ela mesma planejou e sugeriu. E ainda disse que a vida, incrivelmente, mudou para melhor. Admirei de verdade e fiquei feliz, porque ela me passa uma imagem de gente como eu. Do tipo que não tem um plano na manga e vai executando impecavelmente, sabe? Não que seja contra pessoas que agem assim, até gostaria de dominar um pouco essa arte, mas não me identifico.

Well, hoje é segunda e tenho uma semana pela frente. Pretendo praticar um pouco o insight que tive ontem. Tenho que amar as pessoas do meu trabalho mesmo que nunca vá gostar delas (como não se gosta de jiló), senão minha fé será vã.



Jogo do Currículo
Sábado, Abril 09, 2005

- Eu já quis ser astronauta
- Eu escrevia histórias quando era criança
- Eu já participei de coral e descobri que sou soprano lírico
- Eu não sei tocar nenhum instrumento mas tento aprender castanholas
- Eu não sei nadar
- Eu não sei andar de bicicleta
- Eu tinha uma arqui-rival no colégio que me "seguiu" até a faculdade
- Eu já chorei por amor e por amizade
- Até onde lembro, nunca tive amigos imaginários
- Mas já tive amigos por correspondência
- Eu nunca andei de helicóptero, mas já andei de jet-ski
- Eu passei na prova de habilitação mesmo tendo morrido com o carro três vezes
- Eu já viajei para outro estado só para assistir a um show
- Eu já fiz curso de fotografia e batismo de mergulho
- Eu já tirei zero numa prova mas nunca fiquei com nota vermelha no boletim
- Eu amo a Espanha mas nunca estive lá
- Eu nunca roubei bala nas lojas Americanas
- Eu já transei em lugar público
- Eu já tomei porre de ser carregada para casa
- Eu já fumei escondido
- Eu já quis parecer mais velha do que sou
- Eu nunca fiz intercâmbio
- Eu nunca li Paulo Coelho
- Eu já fui muito enjoada para comer
- Eu já fui expulsa de sala e achei muito legal
- Eu já tive medo do escuro
- Eu nunca tive aquelas doenças da infância e nunca quebrei nenhum osso
- Eu já tive um pônei e ele comia goiabada
- Eu já vi o cometa Halley
- Eu nunca consigo visualizar as constelações
- Eu nunca tive uma "galera da praia"
- Eu já tive um piercing que durou só dois dias
- Eu já comprei roupa que nunca usei
- Eu já usei óculos e aparelho, tudo ao mesmo tempo
- Eu nunca fui ao Circo Voador
- Eu nunca assisti "O Mágico de Oz" nem "A Fantástica Fábrica de Chocolate"
- Eu já fui a dona da verdade
- Eu já pensei que era um personagem da história que alguém estava contando e que eu não existia de verdade.



Começando

Quando eu era pequena - e teve um tempo em que nem tão pequena assim - costumava manter diários. Um belo dia, parei de ter. Tomei ojeriza. Desde então, estava de mal com essa prática. Relutei à beça em cultivar um blog, mesmo diante de tantos depoimentos dando conta de que os novos diários do século XXI eram o máximo. Mas agora...sabe Deus porque, cá estou. Ainda um pouco tímida, como quem está conhecendo alguém de quem se quer gostar tanto que se vai com calma.

Resolvi que, para começar bem, preciso exorcizar certas coisas. Nem sei quais, para falar a verdade. São genéricas. Aquelas travas que, às vezes, não se sabe nem de onde vêm, mas aparecem. Entonces...para elas, para todos os males, para todos os chatos e para tudo o mais que pensar em me sufocar.... *fowda-se!*

Como eu sou um ser que gosta muito de teorias, quero deixar registrada a teoria do fowda-se, entoada pela Lol como um mantra aos meus ouvidos. Essa expressão libertária, ao contrário de "foda-se!" (que é agressivo, faz você gastar energia, e tal), é tão serena, mas tão serena, que só te traz felicidade. Você não precisa falar alto, não se dá ao trabalho nem de se mexer. É só deixar cair. Quando o assunto/pessoa é tão desprezível, que não vale a pena um milésimo de sua energia, pluft! Entra em cena a palavra mágica.





 
deesign de Leandro Bulkool
Caetano Veloso, Dom de Iludir
eu
Acho que sempre adiei o projeto de ter um blog por medo de ter que encarar essa parte! Já me achei o máximo, já me achei péssima. Hoje sou uma pseudo-jovem-filósofa contemporânea, meio cabeça, meio infantil, meio marxista, meio alienada, meio louca, meio normal.

Leticia

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