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Preocupações
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Terça-feira, Agosto 30, 2005
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A cidade está numa de suas piores fases daquela guerra civil velada-que-todo-mundo-sabe. Hoje, seja porque uma repórter foi baleada e poderia ser uma amiga minha, ou seja porque os morros em questão são muito próximos do meu dia-a-dia, sinto que o cerco está se fechando. Não vai dar mais para viver na alienação, achando que nada vai acontecer. Só não sei o que fazer. Isso me angustia.
Por outro lado, sinto um grande ganho pessoal. Conhecer Zelina foi uma grande coisa na minha vida, comecei a ler um bom livro e tenho me sentido mais forte espiritualmente. A saída, de repente, é por aí.
Para constar: estou com um dente a menos. Vinte e sete anos na cara e arrancando ciso. Dizem que ele era tão enorme que não imagino como cabia na minha boca. Eu não quis nem ver.
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Exercício de futurologia
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Quinta-feira, Agosto 18, 2005
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Uma vez, na faculdade, algum professor mandou que cada um fizesse seu próprio obituário (dada a estranhice da idéia, deve ter sido coisa do Argollo!). Passado o choque inicial, me lembro que foi difícil pra caramba me ver no futuro/passado. Pois bem, tentemos de novo, mas sem tanto radicalismo e com um prazo um tanto menor...
Daqui a dez anos - eu serei mãe de dois filhos, talvez esteja esperando o terceiro. A menina vai estar no balé, o menino no tai-chi. Vou ter aprendido a cozinhar razoavelmente, para alimentar a prole. Mas serei uma quase-quarentona inteiraça, porque afinal, treze anos de dança vão ter se passado e, espero, servido para alguma coisa.
Estarei morando no mesmo apartamento que hoje, mas ele vai ter uma sala pronta, portas, rodapés e batentes de madeira e a estante estará à beira do caos com tantos livros. A casa vai viver movimentada, e estarei comemorando duas décadas juntas com quase todos meus amigos.
Finalmente vou me ver livre do vício de comprar sapatos e sim, estarei pintando o cabelo com uma disciplina rígida. Vou ter viajado para a Espanha, talvez também para Cuba e Marrocos. Vou ter um trabalho pseudo-alternativo, do tipo frilas, ou vou ser chefe.
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Da inveja e outros bichos
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Terça-feira, Agosto 09, 2005
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Tive uma sensação estranha ontem. Apesar de conseguir entender racionalmente que a inveja não é o bicho de sete cabeças que aprendemos que é na infância, só agora consegui sentir isso no estômago. Pude perceber que visão preconceituosa da pobre inveja eu tenho. E como ela vem, ao longo dos séculos, sendo taxada e rotulada da pior forma possível. Quem, em sã consciência, admite que tem inveja sem se sentir envergonhado? Pois me botei no exercício agora de admitir.
***** Comecei a economizar dinheiro sério. Não sei ainda para quê a grana se destina, mas saber que ela vai estar guardadinha me deixa tranqüila. E me mostra o quanto dinheiro é ilusório. Eu antes ganhava mais e não conseguia guardar nunca.
***** Estou com muita vontade de comer brownie. E tenho pensado que os Menudos estavam certos (meu Deus, quem diria que um dia eu ia escrever isso!). "Não se reprima" tinha que virar estampa de camiseta. Né não?
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Hoje é sexta-feira
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Sexta-feira, Agosto 05, 2005
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E eu estou muito feliz. Com a alma e a cabeça leves, apesar de estar com o corpo meio lá-meio cá. Fez sol nos últimos dias, e a previsão é de que esse tempinho bom se estenda pelo sábado afora. Estou num mood tão happy-happy que hoje caminhei pela Figueiredo Magalhães, aquela rua feia que só, achando o verde das árvores uma coooisa! É mole?
Acabou de ter um chá de fralda aqui no trabalho, para o filho de um dos meninos da Expedição. Achei muito bonito ver todo mundo se movimentando para participar e fui na onda. Fiquei pensando no dia que for o meu. Acho que vou ser uma grávida tão boba, tão derretida, que ninguém vai me agüentar.
E contagem regressiva para Guapi!
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Já dizia o poetinha...
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Quarta-feira, Agosto 03, 2005
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"A gente não faz amigos, reconhece-os". Essa frase genial é de Vinícius de Morais, e é a síntese do que sinto quando penso na minha doce, forte, alegre, inteligente, acolhedora e linda amiga Lol. Não por acaso, ela fez aniversário no dia de Nossa Senhora da Candelária, também chamada de Nossa Senhora das Luzes. Ou mais ainda, Imbolg, como diziam os antigos.
Lol é minha amiga de tantas vida e mesmo assim, sempre que a vejo é um motivo de surpresa perceber como é maravilhosamente bom estar ao lado dela. Falar besteira, falar nada - porque quase sempre as palavras faltam, não dão conta de tudo.
Feliz aniversário, amiga. Na verdade a data que passou vai ser sempre injusta, porque você é o presente.
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