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Carta a um sonho distante
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Quinta-feira, Setembro 22, 2005
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Caro sonho,
Penso em começar esta carta de diversas formas, mas nada seria mais verdadeiro do que: favor mostrar-se logo. Sei que dou bandeira, escancaro, revelo aos sete céus, não disfarço a ansiedade. Mas é tentando juustamente domesticá-la que o faço.
Gosto da sinceridade, e por isso acredito que também gostes. Faço dela então argumento para ser atendida. A fila em que imagino estar parece que nunca anda.
Sempre gostei da raposa do Pequeno Príncipe quando dizia: "Se tu vens às quatro, às três já serei feliz". Mas agora a percebo ardilosa, tentando sedutora antecipar o horário do encontro. Não vou esconder-me sob sua pele.
Temo, porém, que me encontres ainda me arrumando, com a maquiagem por fazer, e perdida quanto a que sapato usar. Mas me agarro à esperança de que vais gostar de mim assim mesmo.
Então espero.
Atenciosamente, Leticia
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Coelho da Alice
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Terça-feira, Setembro 13, 2005
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Vontade de atualizar mas não sei bem o que escrever. Eu, que achava que nunca ia me prender a blogs, cá estou assumindo um certo apego. Como as coisas são... Outra coisa que me apeguei sério, e estou sofrendo só de antever o que vai rolar: o Orkut. Mas esse, assumo de cara. Tá certo que demorei a entrar, rolou aquela resistência a novidades de todo taurino, mas gostei logo, sem reservas. Quero até estudar isso um dia.
*** Hoje fez um dia de inverno em plena quase-primavera. A gente se surpreende porque esquece que é inverno ainda.
*** Estou lendo Lya Luft. E amando. Ela tem um jeito todo meigo de escrever, mas ao mesmo tempo dá umas lapadas sem dó nem pena. E tem umas coisas que ela cita que Deus me livre. Ela lembrou, numa passagem que acabei de ler, que o coelho da Alice pergunta certa vez à menina: "Quem é você?", a pergunta mais difícil de todas. Óbvio que me pôs para pensar. Será que ainda sou uma menina assustada?
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Dia da Independência
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Quarta-feira, Setembro 07, 2005
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 Hoje faz um ano que me mudei pro apartamento novo.
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Que bons ventos...
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Sexta-feira, Setembro 02, 2005
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Essa madrugada foi uma ventania daquelas. E, como a casa estava toda aberta, foi uma bateção de coisas e janelas, mais aquele zunido dos "morros uivantes" que só. Até que as coisas acalmassem, fiquei sem conseguir dormir. Eu, que em geral, adoro o barulho do vento.
Fiquei alerta pra saber o que será que esses ventos trazem. Dizia Ana Terra que noite de vento era noite dos mortos, mas eu não vejo esse sentido fantasmagórico não. Vejo sempre é mudança. Vamos ver. Seja como for, acho que o que vem é do bem.
Esse fim de semana vai ter Guapi, finalmente. As coisas se arrumaram por si só, nada daquelas dificuldades e quebra-cabeças mirabolantes da vez passada. As coisas não precisam da gente mesmo, já cantava Marina.
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